segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O teatro da Colina

O Teatro da Colina serviu de sede ao Conselho Maior, além de ser usado para quase tudo no povoado. Seu salão nobre se destacava pela qualidade dos eventos que ali se realizavam.

Em primeiro lugar, era onde os conselheiros tomavam as decisões importantes. Reuniam-se no salão em torno da mesa ancestral que já há muito era usada pelos anciãos.

Era lá que os narradores se encontravam para compartilhar o simples prazer da leitura ou da conversa informal; era o lugar onde ouviam as histórias que cada um trazia para bem contá-las aos demais, onde engalanavam suas vitórias e mostravam a todos suas preciosas conquistas.

O salão nobre se tornou a cátedra dos mestres, o anfiteatro dos ensaístas, o fórum dos revoltados. Uma passarela em que se exibia a beleza dos diferentes estilos. Cada canto seu exalava o odor um tanto embolorado dos saberes que eram ali derramados e perdidos anos após anos.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A organização

Com o correr dos anos, novas gerações foram surgindo, sempre marcadas pela transmissão da tradição essencial de Extima. O que não impediu que modificações fossem pouco a pouco introduzidas nas tradições dos encontros.

A todos parecia muito salutar o gosto pela discussão democrática que começaram a cultuar. Quase como uma evolução natural dos encontros em que narravam histórias, passaram a achar que era preciso tomar cuidados com as histórias que contavam. Afinal, era o principal legado que tinham para deixar ao futuro. Por isto se justificava que tudo fosse minuciosamente discutido, votado, acordado por todos.

Mas eis que a partir de um momento indeterminável, ninguém mais sabia dizer o que se tornara mais importante, se os encontros onde se relatavam histórias ou as reuniões onde tudo era objeto de discussão. Passou a ser vital controlar a qualidade de tudo que faziam. Daí porque começaram a desenvolver critérios rigorosos de como as histórias deveriam ser contadas e formas corretas de melhor ouvi-las.

A partir de então, era preciso que primeiro contassem suas histórias na reunião para o coletivo decidir se elas deveriam ser narradas e escritas.

A premência em discutir os critérios passou a dominar a vida em Extima. Mesmo antigos e experientes narradores se pegavam, engalfinhando-se uns com os outros, em discussões acaloradas e improdutivas. Vez por outra acontecia um incidente, fruto da intolerância, e alguém ofendido se levantava e se ausentava. Para zelar pelo bem estar, considerou-se fundamental instituir instrumentos de medida precisos, porque se queria evitar erros de escolha, que se tornavam cada vez mais freqüentes, sobre quais histórias mereciam ser contadas.

Mesmo sabendo da importância que todos devotavam a essas novas medidas, por vezes se ouviam comentários sobre como a vida em Extima se estreitava no entrevero das exaustivas discussões. Um quê de sua elegante e ingênua cordialidade, estranheza sua de outrora, se esvaia.

Era possível reaver esse algo que se perdia? Seria isto parte de um processo irremediável? Ou por outra, dever-se-ia aceitar essa evolução como um tributo, exigência dos novos tempos? Todos viviam um pouco pressionados com a necessidade de mudar, não se sabia bem ao certo o que, como se Extima vivesse à beira da extinção.

Difundia-se cada vez mais entre eles a tese de que Extima precisava se atualizar, entrar de vez na temporalidade e integrar em sua vida as preocupações do resto do mundo. Premia adequar suas antigas histórias às novas modalidades de existir. Não que a tese fosse um consenso entre todos. Mas a questão permanecia ruminante.

Será que Extima deveria manter a tradição de seus encontros, mesmo sabendo que encontrar não era mais a tônica dos tempos correntes? Alguns (é bem verdade que poucos) defendiam que Extima não tinha que se adequar à temporalidade. Porque isto significaria alterar sua forma de ser. Pois que a atmosfera atemporal, a sensação que flutuava no tempo, a aura de esquecimento, eram características da região em que se erguera. O que propiciava a ela o ar misterioso que a tornava singular aos olhos do mundo.

Anos e anos a fio, as reuniões mantinham o mesmo ritmo. Alguns temas sem solução por vezes retornavam. As mesmas questões que inquietavam iam e vinham. Outras também surgiam para colorir as reuniões. Como podemos nos aparelhar para fazer avançar as discussões? Era sobre isso que se perguntavam muitas vezes. Outras preocupações também tinham lugar. O rio e a mata, por exemplo, careciam de cuidados urgentes, porque o rio já não era mais tão cristalino e a mata diminuía a olhos vistos. Contudo, urgia pensar um sistema de reunião capaz de dar conta das velhas e insolúveis questões.

Ao cabo de infindáveis reuniões, surgiu uma idéia que foi seriamente considerada. O que precisavam era de um governo e de um modelo para ser seguido. Foi a partir do amadurecimento dessas duas questões - a forma de governo e o código de conduta - que se chegou à solução. Era preciso eleger um conselho, formado por cidadãos de notória reputação, que pudesse representar as diferenças de pensamento da sociedade extimense.

Assim surgiu o governo de Extima, o Conselho Maior, ao qual caberia zelar pelo destino daquele povo, em conformidade com o Código Magno, instrumento ideal, cuja prima redação ficaria a cargo do próprio Conselho, uma vez constituído. Teve início uma época plena de expectativas, que grande contentamento lhes proporcionava. Haviam avistado a luz no fim do túnel para os rumos de Extima.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

No princípio, era a escuta

Tudo começou com um grupo de anciãos que se reunia regularmente, às quartas-feiras, em longos serões noturnos para contar, uns aos outros, histórias verídicas ou inventadas que se compraziam em colecionar. Naquele tempo, eles não podiam imaginar outras viagens, senão as que realizavam através das histórias que narravam. Esses encontros, que se repetiam há incontáveis anos, foram se tornando cada vez mais conhecidos e apreciados. Tomaram força, ganharam o mundo, e se tornaram a tradição mais respeitada em Extima.

No princípio, era a escuta. Assim era a vida naquele lugar. O laço que existia entre eles se estreitava no deslizar das ondas sonoras entre aquele que relatava e os outros que o ouviam. O simples ato hospitaleiro da escuta, a disponibilidade para ouvir, era considerado um bem precioso. Por conta dessa lendária transmissão oral das histórias, muitos forasteiros procuravam o lugarejo em busca desse tipo de raridade, dessa riqueza que Extima podia oferecer. Foi quando os anciãos, vendo o interesse que suas histórias despertavam, começaram a acreditar cada vez mais na importância dos encontros que realizavam. Resolveram então escrever as histórias que contavam para deixá-las como legado aos seus descendentes. E, assim, a leitura das histórias fora também se tornando ao longo dos anos uma transmissão tão prazerosa e estimada entre eles.

Para coroar a prosperidade em que viviam, os cidadãos do povoado se reuniram e construíram uma sede, que foi plantada no topo da mais alta colina. E, por causa disso, fora batizada de Teatro da Colina. Apesar da pompa do nome, tratava-se de um prédio modesto, mas que oferecia uma vista privilegiada de toda a região. Não possuía mais que cinco cômodos: a secretaria, o salão nobre, a biblioteca, a cozinha e o banheiro. Contudo, como um templo, enobrecia a existência da gente do povoado. Era a acrópole de Extima. Acidália foi levada para cuidar de tudo, da limpeza, da contabilidade, do cofre e do cafezinho. Dizem que ela fora pega a laço ainda menina nas matas além Extima e, desde então, trabalhava na vila servindo aos anciãos, que a ela confiavam até seus contos inéditos.

Os anciãos se deliciavam com o sabor de suas histórias. Ficavam muito orgulhosos ao constatar que elas despertavam o interesse de um público que só crescia. Os ouvintes, tanto mais gostavam das histórias quanto mais se achavam nelas, porque iam ao encontro de si mesmos quando as ouviam. Acreditavam que as histórias, como uma chave, lhes desvelariam porções de mistérios: os seus, e os da vida. Quanto maior o valor que o público atribuía às histórias, mais cheios de si os anciãos se sentiam. Verdade que existiam diferenças entre as histórias, de gênero e estilo, que dividiam o interesse dos extimenses, e povoavam suas mentes com o fervor que devotavam a essas pequenas diferenças. Suas histórias eram o seu reino; o seu mundo. Por isto era preciso defendê-las armados com a robustez da paixão. Porque as histórias haviam se tornado para eles nada menos que o sentido da vida.

E, como nas histórias de cavalarias, fazer crescer o próprio reino implica algumas vezes a conquista de outros. Era preciso impedir que aventureiros, invasores, saqueadores pudessem ameaçar a integridade de cada domínio. Em meio ao jogo competitivo onde se media a estatura dos territórios, cada jogador precisava zelar pelo seu, mesmo que para isso fosse preciso atacar o do adversário. Com cautela, para não acender no outro a rivalidade ancestral que reside num recanto inexplorado da alma. Porque, como acontece com o rio, ela pode transbordar e revirar de ponta cabeça até o mais cândido dos anciãos. Mas Extima encontrou o seu jeito de sobreviver aos rompantes acidentais dessa força indomável que vez por outra ainda a ameaça.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O cofre de Extima


Extima

O pequeno povoado de Extima havia se fixado, tempos atrás, ao longo das margens do rio.

E, serpenteava a mata, como querendo reproduzir os contornos e a sinuosidade do desenho natural do rio, cujas águas esverdeadas e cristalinas refletiam em sua superfície as folhagens da vegetação ribeirinha.

O murmurar constante do rio, sonoridade musical das corredeiras que se formavam no trecho onde se situava Extima, favorecia a aura de esquecimento e indolência que dominava a paisagem daquela região, como se fosse possível manter-se alheia à compressão da temporalidade histórica.

Pois era essa sensação de anestesia e atemporalidade, o que encantava as pessoas de fora.

Talvez por força dessa atmosfera, fosse solo fértil para a imaginação da gente que lá habitava.

Semeado entre duas forças naturais notáveis – rio e mata - de gêneros distintos, mas que se necessitam mutuamente, o povoado parecia ter se erguido para se interpor e abalar aquela comunhão ideal.

Enquanto impunha sua cronologia temporal, fazendo emergir no seio daquela natureza o sentido da alteridade, produção mesma da cultura, não podia evitar ser afetado pela sensação de atemporalidade que cunhava a tipicidade da região.

A vida corria mansa em Extima, pelo menos na época da estiagem, quando a vila ficava livre da ameaça dos temporais, que transbordavam o rio e transtornavam a sua conhecida geografia.

Mas o interesse que a beleza da região de inicio despertava nos visitantes, tomava outro vulto quando se tinha contato com o estilo peculiar que os primeiros habitantes imprimiram no lugarejo.

(continua na próxima postagem)

domingo, 19 de junho de 2011

Psicanálise e Literatura


Apresentação:

A literatura sempre esteve presente como inspiração e como objeto da psicanálise.

Obras literárias, as clássicas especialmente, servem como bússolas ao psicanalista que, imbuído do propósito de entender algo do humano, é convidado a se mover no labirinto escuro que é o psiquismo.

Afinal, não são os poetas e os escritores considerados adivinhadores dos mistérios insondáveis da alma?

Tanto a literatura quanto a psicanálise germinam na terra fértil da linguagem e da palavra.

E, tal como acontece com a literatura, não é possível imaginar a psicanálise fora do âmbito da cultura.

O romance re-trata e interpreta a época e a perspectiva de seu autor, assim como a personagem representa uma possível forma de ser na cultura.

É a partir dessa perspectiva - de um autor que dialoga com seu contexto, que apresento O cofre de Extima, conto de minha autoria que será postado nesta seção.

O cofre de Extima sugere a experiência de uma interface entre psicanálise e literatura, em que a própria psicanálise se oferece como ambiente ficcional em que se desenrola a ação-paródia, que elege o cofre como sua principal personagem.

Esta narrativa nos convida a desvendar o que há guardado dentro de certo cofre que ninguém consegue abrir, sempre buscando desenhar diante do leitor a geografia atemporal e errante do inconsciente.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Estrutura e clínica

A palavra possui significância especial na cena analítica. Ela reveste de simbolização a experiência transferencial, tal como faz com certa face do real, quando esta se presta a ser apreendida pelo verbo.

Ela foge do sentido habitual que a língua lhe confere para conotar algo do vivido, do real que, desse modo, se deixa entrever.

Como força do plus de acento que a palavra ganha no exercício analítico, somos levados a prestar atenção na fala, visando, inclusive, ultrapassar seu sentido usual.

Faz parte do rito típico do ofício de analisar recortar da fala uma palavra que clama - por certo conteúdo particular, por certa conotação, por certa densidade, por certa estranheza, ou, por sua incidência repetitiva no discurso – avisando-nos sobre o núcleo de significações que nela se concentra.

“E como não haveria até mesmo um psicanalista de hoje de sentir que chegou a isso, a tocar na fala, quando sua experiência recebe dela seu instrumento, seu enquadre, seu material e até o ruído de fundo de suas incertezas?” – Escreve Lacan em A instância da letra ou a razão desde Freud.

De fato, muitas vezes fica flagrante quão concreta a fala pode se apresentar, especialmente quando porta-voz da língua fundamental do delírio.

Tamanha literalidade nos faz pensar que não se trata na fala de uma descrição distanciada sobre a realidade, em que esta se faz representar através dos signos convencionais da língua, mas que ela, em si, é uma realidade.

A realidade da fala porta uma linguagem, na qual se encadeiam signos-enigmas da língua singularizada.

Sobre essa realidade, de importância capital, incide o trabalho do analista, que consiste primeiro em levar em consideração justamente isto: a fala enquanto realidade.

Fala realidade palpável para o psicanalista que chega mesmo a tocá-la.

Eis o elemento invariante do trabalho analítico.

Apesar da pluralidade teórica das diferentes abordagens, que psicanalista discordaria que a psicanálise opera sobre a realidade da fala?

Mas, o que é a realidade da fala senão o campo sobre o qual incide o trabalho analítico?

A fala, entendida como campo, nos fornece a imagem de que sua realidade se assemelha a uma mina, da qual se espera extrair a matéria prima.

Ao discursar para um grupo de filosofia da Federação de estudantes de Letras, Lacan lembra que Freud considerava a qualificação literária a exigência primordial da formação dos analistas.

Por que Freud via na universitas litterarum o lugar ideal para a psicanálise?

Não seria o desvendar da trama, do drama, tal como o sentido trágico se ordena nas palavras, no contexto da fala, a verdadeira construção a que se dedica o psicanalista?

Construção que implica em desconstruir a ordenação do discurso; produzir no desmaiar do sentido o desvio do curso associativo; introduzir o elemento perturbador, cortante, desconcertante que é a fala do analista, ou seu silêncio ante o pedido insistente de um fechamento que possa interpor uma clausura à incerteza que marca a busca angustiante, precipício sem fim das significações.

O psicanalista (e porque não dizer o analisando também) se apropria da densidade gravitacional que envolve a palavra no ambiente da análise.

O enquadre não seria a expressão dessa força?

Que força gravitacional é essa que toma conta das palavras no setting analítico?

A experiência do analista recebe da fala seu enquadre, nos diz Lacan. O recorte de certas palavras do discurso manifesto realizado pelo analista, em si, implica que uma seleção interpretativa foi posta em ação, início da construção que se realiza em análise.

Construção marcada pelo estilo, pelo traço, pela arquitetura singular de cada analista.

Deste ponto preciso e particular emerge a estrutura da composição literária que se processa em cada análise.

O enquadre é, ele mesmo, expressão dessa literatura que dá corpo e estrutura o trabalho de análise, estruturando, no conjunto, a posição do analista, proporcionando a força temporal que a sustenta.

Porque é dentro de uma temporalidade transferencial que se cria a atmosfera densa em que esta produção invisível se processa.

Mas, o lugar estrutural da posição do analista não está dado, porque é um lugar que não resiste à cristalização.

É um lugar, o tempo inteiro, achado e perdido na barafunda da linguagem que transborda em particularidade na cena analítica.

Linguagem que brota na fala e toma a forma de palavra limpa do convencional sentido, para borrá-la completamente na mistura de sentidos afetados pelos afetos.

A linguagem psicanalítica é aquela que desloca idéias nunca cristalinas que transitam do divã à poltrona a intercambiar, deslizar, desgarrar sentidos.

Mosaico que se compõe com uma paleta de palavras em que comparecem das mais doces e amenas às mais graves, cruéis e infames.

Palavras voam errantes no ambiente magnetizado pela transferência e são lançadas no jogo que institui a linguagem deste campo.

Palavras atravessam a cena analítica e, oferecidas, compõem a teia virtual em que se amarra o lugar do analista, em que se tece a compreensão, a direção, sempre acompanhada de incompreensão.

A fala, esse instrumento volátil, constrói um sentido num tempo preciso. Mas a decomposição da fala processada pela análise não se apresenta apenas como confissão.

Porque a fala, no mesmo tempo que revela, encobre. Apenas algo ela nos permite entrever.

A fala, tornada jogo, exige o esforço da construção das significações. E se fosse tão-somente isso, poderia se tratar de um jogo lógico.

Lugar incerto o que ocupa o analista. Os afetos, e o investimento destes, postos em ação na cena compõem as diversas imagens que vemos surgir no caleidoscópio analítico.

A cada momento uma configuração significativa se apresenta desmontando a anterior.

Essa construção efêmera resiste a uma determinada significação.

Assim também acontece com a palavra estrutura que endurece quando presa a uma significação precisa.

A estrutura da análise é móvel, imprecisa, porque se trata de uma estrutura que guarda a certeza de uma incerteza que a funda.

Igualmente móvel e impreciso é o lugar do analista que recebe da composição literária formulada em análise o enquadre, a estrutura e a função estruturante.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Metáfora e Metonímia

Lacan acirra o debate sobre a arbitrariedade do signo. Considera ilusória a ideia de que o significante representa o significado: todas as línguas existentes são insuficientes para abarcar o campo do significado.

A posição primordial do significante e do significado como ordens distintas, separadas por uma barreira resistente à significação, em que coisa e representação não formam necessariamente uma unidade significativa, assegura a mensagem de que a significação apenas se sustenta na remissão a outra significação.

Somente as correlações do significante com o significante podem fornecer o padrão da significação.

O significante se antecipa ao sentido, que insiste na cadeia do significante. Mas nenhum dos elementos dessa cadeia encerra a significação de que ele é prenhe. Persiste a ideia do deslizamento incessante do significado sob o significante.

Ao escutarmos um poema, o que dele se depreende é antes a potência de sua polifonia. A estrutura da cadeia significante revela a possibilidade que temos de nos servir da língua para expressar algo diferente do que ela quer dizer.

A função significante que se desenha na linguagem tem o nome de metonímia, em que a parte é tomada pelo todo. Vela que representa navio, por exemplo. A ligação entre navio e vela se dá no significante, de palavra em palavra se constrói a conexão na qual se apóia a metonímia.

Já a metáfora surge entre dois significantes. Um substitui o outro, assume o lugar do outro na cadeia significante. Uma palavra por outra, eis a fórmula da metáfora, que se coloca no ponto em que o sentido se produz no não-sentido.