quarta-feira, 2 de julho de 2008

Je e moi

A língua francesa dispõe de duas expressões para designar o pronome da primeira pessoa do singuar: o Je e o moi. O emprego do Je serve para designar o sujeito como condição de possibilidade de uma ação, de um conhecimento ou de um discurso. Lacan chama o Je de sujeito verdadeiro ou sujeito do inconsciente, cuja essência revela o modo de ser da excentricidade; é o sujeito irrefletido: ex-sistant, ex-centrique. Em virtude de sua excentricidade, o Je convida ao desconhecimento.
Utiliza-se moi quando o sujeito se reporta a ele mesmo de maneira reflexiva. Lacan chama o moi de sujeito reflexivo, narcísico ou especular. Reportar-se a si, diz-se refletir. É o que faz Narciso no mito antigo. Ele contempla a água, e não conhecendo o efeito do espelho, tomba amorosamente sobre sua própria imagem. A palavra Nárkissos indica aproximação com; tendo como causa o efeito calmante da flor de narciso. Significa entorpecimento, embotamento.
Estas significações nos ajudam a entender os qualificativos lacanianos do moi, do eu narcísico, que contempla sua imagem especular ou que se identifica no meio dessa imagem. O outro que o moi apreende como ser independente, na verdade é imaginário: o outro dele mesmo. Lacan escreve com letra minúscula esse sujeito dentro do sujeito – a consciência em si.
A essência do moi é a reflexividade, ou seja, ele é para ele mesmo seu próprio objeto. Ele é para ele mesmo uma imagem, configurando, portanto, um objeto que preenche certa função do imaginário. O moi não é mais que um ponto de vista parcial, um erro do Je.
Para Lacan, o lugar verdadeiro do sujeito é onde menos o procuramos, no isso. No inconsciente, incognoscível e inacessível, isso fala.

Um comentário:

Nilton Carlos Perira disse...

Estava lendo Edgar Morin quando ele começou a falar de Je e moi .... aí fui pesquisar... minha dúvida é: como fazem pra traduzir para o inglês?!